Quando entramos no atelier de Rodrigo Oliveira, projecto da década de 70, nunca mais queremos sair. Um atelier que pode ser vivido como se de uma casa se tratasse, constituído por zonas de estar e de trabalho, distribuídas por dois pisos cheios de pormenor no seu desenho, com um jardim bem tratado onde o artista colecciona cactos e filodendros.

“Um espaço cuidado, um espaço a regra e esquadro” diz-nos Oliveira, que teve o cuidado de repôr as cores originais nas portas e os caixilhos, com a vontade última de restituir ao estado original este atelier que agora é a morada do seu trabalho. E é na Villa Savoye em Paris, edifício icónico do movimento moderno, desenhado por Le Corbusier – onde expôs o seu trabalho com Ana Pérez-Quiroga numa exposição intitulada De la Ville à la Villa: Chandigarh Revisited, patente até o dia 4 de Setembro – que irá descobrir formas de melhor preservar o seu espaço de trabalho em Lisboa.

A sua obra já foi mostrada em Bruxelas, Estados Unidos, França e Reino Unido, entre muitos outros lugares, mas para Rodrigo Oliveira viajar é importante como ferramenta de investigação. Uma viagem pela Índia permitiu-lhe reflectir sobre arquitectura e sobre memórias de viagem; Brasília foi fonte de inspiração e pesquisa sobre o modernismo na América Latina; também o Egipto fez parte do seu percurso na continuidade da compreensão e estudo da arquitectura e da iconografia. É este processo de descoberta e de constante questionamento, que caracteriza a sua forma de trabalhar. Com a liberdade de poder testar problemáticas que lhe interessam, fazendo-o muitas vezes num formato de série, através de estudos minuciosos e com um método preciso.


ProjectoMAP:
Para ti o atelier serve como modelo experimental, podes explicar-nos melhor como se desenvolve esta relação com o espaço?

Rodrigo Oliveira:
 É no atelier que as coisas ganham forma. Essas mesmas coisas podem nascer noutros lugares e ter origens diversas. São um contínuo para além deste espaço e do tempo. São pontos de partida. As ideias vivem na minha cabeça, são questionadas, organizadas num caos idiossincrático, mas testadas no atelier. O atelier para mim funciona como um grande palco onde tudo acontece. Tem a métrica e a escala perfeita que criam esse envolvimento e receptáculo para esse teste experimental das ideias. O entendimento do espaço do atelier faz com que entenda muitas das coisas que ganham corpo no meu trabalho. O atelier é assim uma espécie de régua judicativa que me ajuda no processo de decisão e no diálogo silencioso que faço com o meu trabalho. O objectivo é que esse trabalho viva em outros espaço e que ganhe autonomia e universalidade.


(Excerto do artigo de Verónica de Mello publicado na Attitude Interior Design Magazine #71 Art Report)

  • Data: 2016
  • Local: Lisboa
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