ProjectoMap: Já viveste em vários países, como têm sido os teus ateliers? O que te interessa num atelier de trabalho? Quais as características que procuras?

RitaGT: A base do meu trabalho é muito performativa. Considero o processo de trabalho tão importante como o resultado final. Por isso, os meus ateliers têm sido sobretudo a minha mente, o bloco de notas, o computador e a constante necessidade de sair da minha zona de conforto! Vejo sempre uma vantagem nestas mudanças de país e de atelier porque é essa mudança que molda e caracteriza a minha prática artística. Neste momento estou em residência na Escola Superior de Tecnologia e Gestão em Viana do Castelo e aqui tenho o privilégio de ter dois ateliers fantásticos: uma sala com janelas para o mar e uma estúdio profissional de cerâmica.

ProjectoMap: Achas que o atelier – sua escala ou especificidade – se reflete na tua obra? Há algum espaço específico que te tenha marcado?

RitaGT: Sim, sem dúvida. Foi precisamente a falta de um atelier físico durante muitos anos que me fez criar exposições onde a galeria se transforma no próprio atelier durante o tempo da exposição. Também sempre estive envolvida em projectos e trabalho colaborativo, sempre tive ateliers e ideias partilhadas. O último foi o atelier do e-studio Luanda.

ProjectoMap: Como foi o processo do E-studio Luanda? Era um atelier em que partilhavas o espaço com outros artistas, ou mais um espaço conceptual partilhado?

RitaGT: O e-studio Luanda era ambos: espaço físico e conceptual, partilhado e desenvolvido em colaboração onde eu tinha também o papel de coordenação. Este projecto surgiu mesmo da necessidade de finalmente ter um espaço de trabalho físico. Lembro-me de quando cheguei a Angola desenvolver ideias para um projecto de estúdio móbil: uma carrinha (candongueiro) transformado num atelier que poderia percorrer as províncias e onde poderia desenvolver um projecto comunitário. Esse e-studio evoluiu para o e-studio Luanda.


ProjectoMap: O próprio atelier passou a ser a obra?

RitaGT: Exactamente! Uma ideia completa e complexa de estúdio móbil, que se transporta para todo o lado e que contém as obras e ferramentas no seu interior tem vindo a ser desenhado ao longo destes anos de trabalho sem atelier físico e que ganhou forma em Luanda, onde ainda é mais difícil montar um atelier por falta de materiais e porque as rendas são caras.


ProjectoMap: Neste momento estás a trabalhar com cerâmica e relacionada com a Universidade (..) como é este novo espaço?

RitaGT:
Depois de decidir dar um outro rumo ao meu trabalho, tive a proposta de ser artista residente na Escola Superior de Tecnologia e Gestão em Viana do Castelo, cidade onde cresci. Não poderia ficar indiferente ao estúdio de cerâmica profissional que esta escola tem, umas condições fantásticas, com técnicos muito eficientes. É um retorno à terra em todos os sentidos! Estou a trabalhar com várias matérias, um trabalho muito experimental, orgânico e performativo.


ProjectoMap: e agora? Quais os projectos para o futuro?

RitaGT: Tenho vários projectos em curso e embora esteja a trabalhar intensamente no atelier, continuo a interessar-me e a organizar projectos de curadoria e produção, práticas que fazem intrinsecamente parte do meu corpo de trabalho.


Obrigada Rita,
ProjectoMap


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Entrevista por Alda Galsterer e Verónica de Mello, Colectivo de Curadores
Créditos de fotografia: Rita GT
Edição: Joana Portela
Tradução em Inglês: Maria Taborda

  • Data: 14-11-2016
  • Local: Viana do Castelo
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