Pedro Quintas é artista do ProjectoMap e fomos conhecer o seu atelier em São João da Caparica. Nomeado por Pedro Casqueiro, o artista nomeou, por sua vez, Rui Moreira e Cristina Lamas para se juntarem ao projecto.

Na nossa entrevista, Pedro Quintas revelou-nos a actualidade do seu trabalho, algumas notas sobre o seu percurso, assim como a relação que mantém com o seu espaço de trabalho. Com a diversidade de meios a que recorre no seu trabalho, tentamos perceber de que forma o próprio define o seu modo de expressão.

ProjectoMap: Pedro estavas a contar que esta era a casa dos teus pais e que tinhas vindo trabalhar para aqui. Quando é que começaste a trabalhar neste espaço? 

Pedro Quintas: Sim, a casa dos meus pais era em cima. Comecei há um ano. Eu tenho tido sempre atelier em Lisboa, estive 8 anos no Chiado, depois na Braamcamp com o Casqueiro [Pedro Casqueiro] e com a Jotta [Ana Jotta]. Ultimamente estava nas Janelas Verdes num daqueles ateliês temporário e acabou. Fiquei sem atelier assim de repente e estava à procura, falei com a porteira, estava livre este apartamento, que não estava para alugar porque não tinha muitas condições e fiquei. É um bocado mais pequeno do que eu costumo ter, mas tem a vantagem de estar perto de casa, sempre que me apetece trabalhar venho para cá. Tenho essa liberdade.

ProjectoMap: Então para ti o atelier não é uma coisa fundamental, é só um espaço de trabalho que pode ser em qualquer um destes sítios?

Pedro Quintas: Sim, sim.

ProjectoMap: Mas sentes que a dimensão do atelier está a condicionar o teu trabalho?

Pedro Quintas: Não, de momento estou a fazer coisas mais pequenas, estou a fazer estes 30x30 [centímetros], que considero pequeno. Foi o formato que apresentei na última exposição no Fernando Santos [galeria]. Calhou ser assim. Mas como não consigo deixar as telas grandes. Vou fazendo uma ou duas de cada vez. A próxima exposição está alinhavada para a próxima primavera, em 2017, e já vai ter telas maiores.

ProjectoMap: Tu só trabalhas com o Fernando Santos?

Pedro Quintas: Sim. 

ProjectoMap: O que é necessário para que um espaço seja o teu atelier, o que é fundamental? Luz? 

Pedro Quintas: Sim, com luz natural e quando se trata de atelier partilhado, um espaço em que possa fechar a porta e trabalhar. No fundo, necessito que seja um trabalho solitário.

ProjectoMap: Qual é o meio em que costumas trabalhar mais? Aquele em que o teu trabalho se desenvolve?

Pedro Quintas: Pintura acrílica. Nunca mais usei óleo desde a escola. O trabalho assim é mais rápido, não consigo esperar. Comecei por explorar também a fotografia e o vídeo, andei um bocado na multimédia mas continuei sempre a pintar também.

ProjectoMap: Dividiste atelier com a Ana Jotta e o Pedro Casqueiro. Houve uma fase em que o Pedro também trabalhou com letras. Sentes que houve uma influência mútua?

Pedro Quintas: Eu e o Casqueiro temos muito a ver um com o outro, conhecemo-nos há muitos anos, nascemos no mesmo dia, embora sejamos de gerações diferentes, temos quinze ou vinte anos de diferença, mas entendemo-nos muito bem, tenho o trabalho dele como uma referência. Desde que comecei a estudar ia ao atelier dele e damo-nos muito bem, quase não precisamos de falar. De certeza que a minha pintura já foi influenciada por a dele, porque eu sempre o acompanhei. Nós [artistas] estamos rodeados de outros artistas e imagens, e filtramos muito disso para o nosso trabalho. Somos como uma esponja, não há outra maneira de explicar.

ProjectoMap: Mesmo a estudar no Ar.Co, nunca fizeste nenhum intercâmbio? Isso era muito comum nos anos 80/90. Nunca foste para fora?

Pedro Quintas: Não, eu fiz um percurso um bocado alternativo. Eu sou um auto-didacta, por natureza, em tudo. Comecei a pintar sozinho quando acabei o 12°ano, até que percebi "isto não faz sentido, tenho de ir para uma escola”. Fui para o Ar.Co e fui fazendo… Fazia um ano, no ano seguinte parava, e depois voltava de novo. Mas por exemplo aquela coisa de desenhar “naturezas mortas”, o desenho de modelo, essas coisas, chateavam-me mesmo porque já tinha o meu trabalho. Tinha já outra linha na minha cabeça. O próprio pensamento já era outro.

ProjectoMap: E tu sempre quiseste ser artista? Ou é uma coisa que aconteceu?

Pedro Quintas: Não, eu acho que sempre quis mas não tinha percebido. Porque sempre gostei de desenhar, sempre tive aquela coisa de intervir visualmente no espaço, até que mais tarde comecei a pintar umas coisas e lembro-me de pensar "eu gosto é disto” e pronto, fui para o Ar.Co. 


Obrigada Pedro,
ProjectoMap


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Entrevista por Alda Galsterer e Verónica de Mello, Colectivo de Curadores
Créditos de fotografia: Joana Portela
Edição: Sofia Caetano


  • Data: 22-11-2016
  • Local: São João da Caparica
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