“Não sou pintor de atelier, não gosto de lugares fixos”


A subida pela escada escura parece um compasso, degrau a degrau, a subida prepara-nos para a entrada. A porta abre-se e a luz filtrada pelas copas das arvores inunda as duas salas viradas a nascente, uma atmosfera cheia de claridade e de calma é o espaço de trabalho de João Queiroz.
Em qualquer direcção que olhemos vemos provas de cores nas paredes, frascos cheios, bisnagas de tinta, pincéis, frascos, paletas, pratos de plástico com mais bisnagas, mais frascos e outra vez copos com pincéis.
A conversa começa.
O método de trabalho é o que prevalece, não o espaço mas a relação com os seus quadros, a ideia de código que retira a partir da natureza e que através do desenvolvimento do seu trabalho se transforma não só, numa visão da natureza mas num código das imagens da natureza. Queiroz retira aquilo que é essencial. A cor não tem uma relação directa com o prisma da paisagem mas com a intensidade que pretende descrever, a utilização cromática para criar profundidade, planos.

O espaço de trabalho para o artista é um lugar útil, que serve as suas necessidades.
“Não me ligo sentimentalmente ao espaço, gosto de mudar. Aquilo em que trabalho não me permite estar sempre no mesmo sítio”

O atelier e o trabalho artístico coabitam numa relação nómada.

  • Data: Maio de 2012
  • Local: Centro de Lisboa
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