Hugo Canoilas artista que vive e trabalha entre Lisboa e Viena, inaugurou a 24 de Novembro, a exposição individual "Debaixo do Vulcão" no Museu Nacional de Arte Contemporâna (Museu do Chiado) em Lisboa. Uma exposição que reúne os vários fragmentos do resultado de uma intervenção artística de três meses que realizou numa pedreira a 500 metros do centro da Vila de Negrais. 

Este evento que antecedeu a exposição no MNAC, com o nome de "Morte Sem Fim" é apresentado nesta Visita de Atelier como uma documentação acerca do atelier de Hugo Canoilas, que nos explicou, ser no fundo, esta a abertura do seu espaço de trabalho ao público - "eu trabalho muito fora do meu atelier e especialmente neste último ano não houve produção no atelier em Viena". 

Queremos também relembrar que em Outubro de 2016, o ProjectoMap esteve presente em Londres para uma conversa com o artista, sobre a sua exposição "Unfaithul to daydreams" na Workplace Gallery, uma das galerias que representa o artista a nível internacional.


ENTREVISTA A HUGO CANOILAS


ProjectoMap: Em conversa connosco contaste-nos que o teu atelier é onde estás. Existe algum lugar, que tenha maior consequência no teu trabalho?

Hugo Canoilas: Não. Trabalho de forma exaustiva. Tenho muita dificuldade em parar. Os locais mais importantes para o meu trabalho são por isso aqueles onde consigo parar e esses diferem. Podem até nem ser espaços, mas momentos, pessoas, acontecimentos.

ProjectoMap: Como é que escolhes viver e trabalhar na Áustria. A cidade de Viena, tem alguma influência no modo como trabalhas?


Hugo Canoilas: Fui para um local onde me sinto absolutamente estrangeiro. Incorporo e lido todos os dias com um determinado humor, sistema de valores e permanente reação e reflexividade austríacas. Sinto-me absolutamente desperto aqui junto do Outro.

ProjectoMap: Para ti, quais são as características fundamentais de um atelier?

Hugo Canoilas: Apenas as absolutamente necessárias para fazer um determinado trabalho. E por isso a margem de um rio, uma pedreira ou uma casa abandonada podem servir tão bem como um atelier com chão em betão aquecido e luz zenital. Precisamos mais de “um canivete partido” como dizia o J. Beuys, que a imagem romântica e/ou burguesa do atelier do artista.

ProjectoMap: Trabalhas em vários media. Existem problemáticas que trabalhas em meios específicos? 

Hugo Canoilas: Trabalho apenas sobre uma coisa e essa contínua a escapar-me. Contínuo a tentar encontrá-la, mas esta parece mover-se na mesma medida em que eu me aproximo dela. Levarei toda a minha vida nesta tarefa.

ProjectoMap: Quando dás uma obra por terminado? 

Hugo Canoilas: Uma obra começa de uma ideia e uma ação, que são minhas, mas a obra acontece à minha frente. A obra acontece quando eu percebo que esta coisa interior que se tornou exterior, fora de mim, objecto, pode ser incorporada de novo como parte discursiva - como obra da minha autoria; quando consigo ser elástico o suficiente para a incorporar.


Obrigada Hugo,
ProjectoMap


  • Data: 07-11-2016
  • Local: Centro da Vila de Negrais
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