FUSÃO ARTE-VIDA 
Conversa com Ana Pérez-Quiroga em casa da artista

Ana Pérez-Quiroga: É a minha casa, eu vivo aqui. É uma casa alugada, pago renda. 

ProjectoMAP: Eu vi através do site que os objetos também estão à venda… 

APQ: Quase 90% dos objetos. Os objetos estão à venda, mas só podem ser vendidos se as pessoas alugarem a casa por duas noites. 

PM: Porque é que Ana decidiu alugar esta casa que é sua, e que tem coisas suas, a outras pessoas? 

APQ: Porque isto é o meu projeto artístico, é uma instalação. Não é a casa, é a casa e os seus objetos, é uma instalação total. Isso tem a ver com uma ideia de fusão arte-vida, em que neste caso quem dá a moldura ou a legitimidade para que se isto torne uma instalação artística, sou eu. Não é dada por um museu, nem por uma galeria. Isto podia estar tudo num espaço em que tu entravas e já tinhas à partida essa ideia de que o que ias ver era uma obra, uma peça de arte contemporânea. O que eu peço às pessoas que entram aqui, é que tenham uma pequena mudança de atitude na observação. Tu não vens aqui à casa de uma artista, vens a uma casa que é uma peça artística ela própria. Portanto a maneira que tens de olhar para isto é que tu estás aqui performatizar. Por exemplo, tu não estás aqui só a fazer uma pergunta, tu própria és parte integrante de um acontecimento, esse acontecimento é esta conversa e esta conversa é concretamente sobre um tema artístico, em que eu estou a tentar demonstrar, a tentar por em prática dentro deste discurso, explicar-te os protocolos não só para estares aqui, como também para compreenderes isto. 
De alguma forma isto entra dentro de uma gama, como se fosse um Airbnb, como se eu pudesse pôr no Airbnb a minha casa na categoria “arte”. Valoriza tudo muito mais, não é que a casa tenha um preço alto, são AA€ para as pessoas ficarem com a casa toda, nem o preço está caro. Mas o que me interessa é exatamente eu própria ter as rédeas. Tu vais a um museu e pagas um bilhete, tu vens aqui e pagas a estadia. Mas o que é que me interessa para além do dinheiro? É que as pessoas ao ficarem duas noites, ficam duas noites e ficam em imersão total, com os meus objetos e eles próprios a performatizar. 
Depois há um papel, eu mando um documento em que as pessoas escrevem… E eu acabo por documentar estes acontecimentos.

  • Data: 2016
  • Local: Lisboa
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